Desde redemocratização, apenas um presidente não teve problema com Justiça


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Itamar Franco assumiu a Presidência da República após impeachment de Collor
Foto: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
Investigações e prisões contra ex-presidentes da República Federativa do Brasil não são novidades na história. Com a prisão de Michel Temer (MDB), nesta quinta-feira (21), mesmo que em caráter preventivo, apenas um ex-chefe do Executivo Federal não teve problema com a Justiça: Itamar Franco (1992-1994), morto em 2011. Desde o fim da Ditadura Militar, em 1985, todos os outros presidentes estão com problemas com Justiça. 
O caso mais notório é o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Presidente entre 2003 e 2010, o petista cumpre pena desde 7 de abril de 2018 por condenação em 2ª instância na operação Lava Jato. Ele é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex no Guarujá, em São Paulo. Neste processo, Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão. Recentemente, Lula também foi condenado por receber em forma de propina, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), reformas em um sítio de Atibaia, no interior de São Paulo. A condenação para este processo foi de 12 anos e 11 meses.  
Já Dilma Rousseff (2011-2016) e Fernando Collor (1990-1992) foram alvos de impeachment, além de denúncias da Procuradoria Geral da República (PGR). O primeiro presidente eleito por voto popular depois da redemocratização foi acusado de participação em uma ampla teia de corrupção, que teve como materialidade a comprovação de compra de um Fiat Elba com um cheque fantasma do tesoureiro de sua campanha, PC Farias.
Collor, inclusive, já como senador, teve denúncia aceita sob a acusação de receber propina de contratos superfaturados na BR Distribuidora.
Já a petista não esteve envolta de uma denúncia de corrupção em benefício pessoal. Ela caiu em virtude de crimes de responsabilidade fiscal. Porém, nas últimas semanas, o ex-ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda e Casa Civil nos governos Lula e Dilma) apontou em delação premiada que Dilma favoreceu empresas a pedido de Lula. As informações passadas por Palocci, no entanto, ainda não foram utilizadas pela Lava Jato para abertura de investigação contra Dilma. 
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), presidente entre 1995 e 2002,  teve o nome citado em delação da Odebrecht, empreiteira acusada de pagar propina a diversos políticos. No caso de FHC, Emilio Odebrecht, então presidente da empreiteria, disse que o tucano foi beneficiado nas campanhas eleitorais de 1994 e 1998. Uma investigação contra o tucano foi aberta, mas o MPF pediu arquivamento do caso por prescrição. Isso porque, segundo o MPF, o suposto caso de corrupção ocorreu há mais de 20 anos.  
Primeiro presidente após o fim da Ditadura Militar, José Sarney (1985-1990) foi denunciado duas vezes pela PGR na operação Lava Jato, acusado de receber propina de contratos superfaturados da Petrobras e de subsidiárias da estatal, como a Transpetro.
Todos os políticos sempre negaram as acusações. 
O TEMPO

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